
Desenvolver uma região exige mais do que uma única iniciativa. Estradas melhores facilitam o transporte, o turismo e o escoamento da produção. O empreendedorismo transforma oportunidades em negócios. Já o crédito permite que produtores e empresários invistam, ampliem suas atividades e atravessem períodos de dificuldade.
No Espírito Santo, essa combinação pode ser observada em diferentes comunidades e também na trajetória do Banestes, que há mais de 88 anos mantém uma atuação próxima dos capixabas. Um dos exemplos está em Pedra Azul, Domingos Martins. Antes da pavimentação da Rota do Lagarto, chegar à região significava enfrentar barro, poeira, pedras e trechos difíceis.
Esse foi o primeiro trecho de estrada rural pavimentada pelo programa Caminhos do Campo, criado há mais de 20 anos, com o objetivo de facilitar o escoamento da produção agrícola, o acesso de turistas e a locomoção dos moradores.

A melhoria do acesso ajudou a transformar o perfil econômico da localidade, que passou a receber mais visitantes e viu crescer o número de restaurantes, cafeterias, pousadas, propriedades rurais e outros empreendimentos. Nesse processo, a presença de uma instituição financeira próxima também passou a fazer parte da história de quem decidiu investir na região.
É o caso do empresário Ozébio Peterle, proprietário do Restaurante Peterle, na entrada da Rota do Lagarto. Ele cresceu ouvindo as histórias da estrada que passava diante da propriedade da família. Antes dos veículos, o caminho era utilizado por tropeiros, que levavam cerca de uma semana para fazer o percurso de ida e volta até Araguaia, em Marechal Floriano, onde havia uma estação de trem.
Com o passar do tempo, a estrada recebeu veículos, mas continuou apresentando dificuldades de acesso. “Até então ninguém queria pôr seu carro na lama, ou na poeira, ou raspar nas pedras. Não tinha um acesso bom”, lembra.
Parceiro financeiro
A pavimentação mudou esse cenário e ajudou a aumentar o fluxo de visitantes. Mas, para Ozébio, a transformação da região também está ligada à chegada e à proximidade dos serviços financeiros. O Banestes faz parte da trajetória de seu empreendimento desde 1984, quando a conta da empresa foi aberta em uma unidade instalada em um pequeno estabelecimento da região.

“Tendo o Banestes aqui do lado, tendo um contato junto com o gerente e a empresa sendo bem-vista, você tem facilidade de adquirir recursos para movimentar o negócio”, afirma. Para ele, a combinação entre infraestrutura, crédito e capacidade empreendedora ajudou a criar um ambiente favorável ao crescimento.
“Hoje, quanto empreendimento tem aqui na região? E tudo começou lá atrás e ganhou impulso com o Caminhos do Campo e com o Banestes”
Ozébio Peterle – empreendedor
Assista abaixo a um vídeo em que Ozébio fala mais sobre o crescimento da região e de como o Banestes foi importante nesse processo.
De seis mesas a 300 clientes
A história da Rota do Lagarto ajuda a mostrar como diferentes fatores podem se somar para mudar uma economia local. A pavimentação facilitou a chegada dos turistas, melhorou o transporte de mercadorias e criou condições para novos empreendimentos.

O empresário Hiltinho Passos acompanhou essa transformação de perto. Ele chegou ao setor de turismo praticamente junto com a pavimentação e completa 21 anos de atuação na região.
“Eu cheguei no turismo junto com a Rota do Lagarto”, conta. O Restaurante Passos, que começou com seis mesas e capacidade para aproximadamente 20 pessoas, hoje consegue receber até 300 clientes simultaneamente. Para Hiltinho, a melhoria do acesso foi determinante para dar visibilidade à região.
“Foi graças a esse incentivo que o Caminhos do Campo trouxe para a região que ganhamos visibilidade e o movimento passou a crescer”
Hiltinho Passos – empreendedor
Segundo o empresário, o impacto não ficou restrito ao turismo. “As propriedades conseguiram se desenvolver e o turismo e o agroturismo deslancharam muito de lá para cá com a construção da rota”, disse. Para ele, a melhoria da infraestrutura também ajudou a levar renda para o interior. “O interior ganhou muito com isso, desenvolveu, trouxe renda”, resume.
Apoio nos momentos difíceis
Na trajetória de Hiltinho, o acesso ao crédito também foi importante. Ele mantém conta no Banestes e destaca especialmente o período da pandemia de Covid-19, quando estava ampliando o restaurante e enfrentou dificuldades para manter os investimentos.
“Com a pandemia a gente passou muito apertado e viu que o Banestes era parceiro de verdade. O Banestes deu a mão e fez a gente passar por aquele período”, afirma. O empresário também considera importante a presença física do banco na região, mesmo fora da sede municipal. “É importante porque está próximo, porque é um vizinho que a gente tem, você não precisa se deslocar”, diz.
Para Hiltinho, essa proximidade também significa conhecimento da realidade local. “Eles também passam a conhecer a comunidade, eles têm esse conhecimento da comunidade, da realidade de cada um. Essa proximidade é muito importante para todos nós, para o desenvolvimento da região, isso é fundamental”, enfatiza.
Quando infraestrutura e crédito se encontram
A transformação de Pedra Azul ajuda a contextualizar o papel do crédito no desenvolvimento regional. A pavimentação de uma estrada pode reduzir dificuldades de transporte, aproximar consumidores e fornecedores e facilitar a chegada de turistas. Mas são os investimentos feitos por agricultores e empreendedores que transformam essa nova condição de acesso em atividade econômica.
O agricultor e empresário José Marcos Modolo, que mantém seu estabelecimento às margens da Rota do Lagarto, na entrada do Parque Estadual da Pedra Azul, também acompanhou essa mudança. Quando a estrada ainda era de chão, ele já mantinha o negócio, mas enfrentava as dificuldades provocadas pelas condições de acesso. “Melhorou muito. Começou a vir mais visitantes e o movimento aumentou. A pavimentação foi importante para o turismo e para a agricultura”, diz.

A percepção dos empreendedores de Pedra Azul encontra correspondência na atuação do Banestes em outras regiões do Estado. De acordo com informações da instituição, o banco considera sua presença nos 78 municípios capixabas um dos principais diferenciais de sua atuação. A capilaridade permite manter contato direto com moradores, produtores e empresários e acompanhar mais de perto as características econômicas de cada comunidade.
Atualmente, o Banestes possui 738 pontos de atendimento. São 199 na região Norte, 320 na região Central e 213 na região Sul do Espírito Santo, além de seis unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro voltadas ao atendimento de clientes e negócios estratégicos. Essa estrutura atende cerca de 1,7 milhão de clientes, administra mais de 1,1 milhão de contas-correntes e aproximadamente 660 mil contas de poupança.

A presença em todo o território capixaba ganha significado especialmente em comunidades menores, onde uma agência pode representar mais do que um ponto de atendimento. Para o banco, estar fisicamente presente em cada uma das 78 cidades ajuda a manter relacionamentos duradouros e permite que clientes tenham acesso a serviços financeiros sem necessariamente precisar se deslocar para outros municípios.
Uma solução pensada para o interior
No meio rural, essa proximidade se soma às linhas de financiamento destinadas a diferentes perfis de produtores. O Banestes oferece alternativas como Plano Safra, Pronaf, Pronamp e Custeio Agrícola, que podem financiar atividades produtivas, investimentos e custeio das propriedades.
Nesse contexto, o Caminhos do Campo é um exemplo de como infraestrutura e crédito podem atuar de forma complementar. A pavimentação melhora o acesso e facilita o escoamento da produção; o financiamento permite ao produtor investir em equipamentos, ampliar a atividade e melhorar sua capacidade produtiva. Segundo informações do banco, essa combinação contribui para aumentar a produtividade, estimular a permanência das famílias no campo e fortalecer a economia das regiões rurais.

A origem do próprio Caminhos do Campo ajuda a compreender esse processo. Quando o programa começou a ser estruturado, havia o desafio de encontrar uma solução adequada para estradas rurais que não exigisse os mesmos padrões de uma rodovia convencional. Enio Bergoli, que participou da concepção do programa e atualmente é secretário de Estado da Agricultura, acompanhou de perto esse processo. Ele lembra da dificuldade de encontrar um profissional disposto a pensar além das fórmulas tradicionais.
“Tivemos uma dificuldade de encontrar um engenheiro que saísse das fórmulas tradicionais da engenharia de estradas”, recorda Enio. A equipe responsável pelo projeto buscou referências em países europeus, como Itália e França, onde foi possível conhecer experiências de pavimentação de estradas rurais de baixo custo e adaptar as soluções à realidade capixaba. O objetivo era garantir trafegabilidade durante todo o ano em regiões de produção rural e rotas agroturísticas e, ao mesmo tempo, induzir novos negócios.

Em 2024, a busca levou a equipe até o engenheiro de estradas Lauro Koehler, que foi convidado para trabalhar na concepção do programa. Ele acumulava décadas de experiência na área rodoviária, inclusive no então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), hoje substituído pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O grande objetivo era dar trafegabilidade em rotas agroturísticas e em regiões de concentração de produção rural o ano todo e induzir a novos negócios, como turismo, agroturismo, turismo de aventura. Entretanto, ao analisar propostas que estavam sendo pensadas Lauro Koehler se deparou com um modelo que, em sua avaliação, não funcionaria.
Sua experiência o levou a defender uma mudança de conceito: em vez de construir rodovias convencionais, era necessário criar uma infraestrutura adequada ao tráfego existente nas comunidades rurais, utilizando materiais disponíveis na própria região e reduzindo custos.

“A coisa mais cara em pavimentação é transporte. Então, eu tinha que aproveitar o material da região”, explica. O modelo desenvolvido utilizava tratamento superficial e, segundo Lauro, podia custar pelo menos oito vezes menos que uma rodovia convencional executada pelo departamento rodoviário.
“Aquilo que a gente estava fazendo não era estrada. Estradas já existiam. O que nós estávamos fazendo era uma infraestrutura agrária e turística”
Lauro Koehler – engenheiro de estradas
O apoio a quem decide empreender
Quando uma região passa a receber mais visitantes e novos negócios começam a aparecer, pequenos empreendedores também precisam encontrar formas de financiar seus projetos. Um dos principais exemplos é o Nossocrédito, programa que, em mais de duas décadas, ultrapassou R$ 1 bilhão concedido a microempreendedores em mais de 170 mil operações.

A atuação inclui ainda o Microcrédito Juntas, voltado ao protagonismo feminino, linhas destinadas à juventude empreendedora e fundos de aval, como o Garantir-ES. Para micro e pequenas empresas, o banco oferece também alternativas como Capital de Giro Empreendedor, Pronampe e BNDES Crédito Pequenas Empresas. São recursos que podem ser utilizados para capital de giro, pagamento de funcionários, aquisição de equipamentos e expansão física dos negócios.
A lógica é especialmente importante em regiões que passam por transformação econômica. Quando uma estrada melhora o acesso a uma comunidade, novas oportunidades podem aparecer, mas o crescimento dos negócios depende da capacidade dos empreendedores de investir. O crédito, nesse cenário, funciona como uma ponte entre a oportunidade criada e a capacidade de aproveitá-la.
Foi o que aconteceu em Pedra Azul. A pavimentação da Rota do Lagarto contribuiu para aumentar o fluxo de visitantes e estimular novos empreendimentos. O Banestes, por sua vez, acompanhou parte dessa trajetória por meio da presença física, do relacionamento com os empresários e do acesso a recursos financeiros.
Um novo caminho começa a ser percorrido

Mais de duas décadas depois da transformação iniciada na Rota do Lagarto, uma história semelhante começa a ser escrita a poucos quilômetros dali. Na Rota do Carmo, nove quilômetros receberam recentemente pavimentação.
Wagner Uliana, morador da comunidade há 44 anos e proprietário da cafeteria Contos do Ninho, acompanhou durante décadas as dificuldades provocadas pela antiga estrada, marcada por buracos, poeira e problemas de circulação.

Segundo ele, depois da pavimentação, o movimento cresceu entre 50% e 60%, em média, alcançando pequenos produtores, hotéis, cafeterias, restaurantes e propriedades rurais.
“Hoje, é uma realidade que a gente vive aqui e não tem palavras para descrever o que foi feito na Rota do Carmo”, afirma.
Wagner Uliana – proprietário da cafeteria Contos do Ninho
Assista abaixo a uma entrevista com Wagner Uliana e imagens da Rota do Carmo.
A experiência mostra que o desenvolvimento regional acontece em várias frentes. Uma estrada pode facilitar o acesso, mas a permanência e o crescimento de um empreendimento dependem de uma série de outros fatores. É justamente nesse ambiente que a atuação de uma instituição financeira com presença local ganha relevância. O Banestes afirma que sua capilaridade é parte de sua missão de inclusão financeira e de seu compromisso com as comunidades onde está presente.
Um banco capixaba em expansão
Fundado em 1937 o Banestes é uma sociedade anônima de capital aberto e economia mista. A instituição ultrapassou, em março de 2026, a marca de 42 mil acionistas. Os números recentes também mostram uma instituição de grande porte. O banco alcançou R$ 40 bilhões em ativos totais, crescimento de 4,8% em 12 meses, e registrou índice de Basileia de 14%, integralmente composto por capital de nível I. O lucro líquido acumulado no balanço mais recente chegou a R$ 413 milhões.
A instituição também recebeu, em 2026, classificação de risco AA.br, com perspectiva positiva, atribuída pela Moody’s Local, que destacou o potencial da carteira de crédito. O Banestes ainda ficou em primeiro lugar na categoria “Maiores Empresas de Serviços Financeiros e Seguros” do Anuário IEL e recebeu menção no Prêmio Qualidade 2025 da APIMEC SP.
Mais do que indicadores financeiros, porém, a presença do Banestes pode ser percebida nas histórias de quem empreende. Em Pedra Azul, Ozébio viu o banco acompanhar seu negócio desde os anos 1980. Hiltinho recorreu ao relacionamento com a instituição em um dos momentos mais difíceis de sua trajetória empresarial. Em outras regiões, produtores e pequenos empresários encontram nas linhas de crédito alternativas para investir e ampliar suas atividades.

A história do Caminhos do Campo ajuda a ilustrar essa dinâmica. A melhoria das estradas transformou acessos que antes eram marcados por barro e poeira em caminhos capazes de receber turistas, facilitar o transporte da produção e estimular novos negócios. Mas, para que essas oportunidades se convertam em desenvolvimento permanente, é preciso que produtores e empreendedores tenham condições de investir.
Esta reportagem integra uma série especial produzida pelos portais Montanhas Capixabas e Negócio Rural sobre o desenvolvimento de comunidades e regiões do Espírito Santo e o papel de diferentes agentes nesse processo.
