O agronegócio brasileiro tem potencial para gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono entre 2025 e 2035, segundo um estudo da consultoria Carbonn Nature, com apoio do Instituto Equilíbrio e do Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAg), da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

A estimativa aponta que, considerando apenas os créditos de carbono com metodologias já mais consolidadas, o setor produtivo poderia movimentar mais de R$ 2 bilhões em exportações desse mercado.

Grande parte desse potencial está relacionada à redução das emissões de metano no manejo de dejetos da produção animal. De acordo com o levantamento, somente a adoção da metodologia AMS-III.D, reconhecida pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), poderia resultar na geração de 312,1 milhões de toneladas de carbono equivalente.

A tecnologia envolve práticas como o tratamento adequado dos resíduos da criação de animais, permitindo reduzir a liberação de gases de efeito estufa e transformar parte dessas emissões evitadas em créditos comercializáveis.

Os créditos de carbono funcionam como certificados que representam a redução ou remoção de uma tonelada de gases de efeito estufa da atmosfera. Empresas e países podem adquirir esses créditos como forma de compensar parte das próprias emissões.

Com a ampliação das metas ambientais e a busca por cadeias produtivas mais sustentáveis, o setor agropecuário brasileiro aparece como um dos segmentos com maior capacidade de participação nesse mercado, principalmente por iniciativas ligadas à eficiência produtiva, manejo de resíduos e conservação ambiental.

O estudo reforça que o Brasil, por possuir uma das maiores produções agropecuárias do mundo, reúne condições para ampliar a oferta de créditos de carbono e criar novas oportunidades econômicas para produtores rurais.