Foto: Divulgação/ Fox Agritech

Tecnologia com ondas eletromagnéticas surge como aliada no combate a pragas do algodão

O avanço de novas tecnologias no campo começa a mudar a forma como produtores enfrentam um dos principais desafios da cotonicultura: o controle de pragas. Soluções mais precisas e baseadas em dados ganham espaço diante dos prejuízos causados pelo bicudo-do-algodoeiro, considerado o maior inimigo da cultura e responsável por perdas que superam R$ 3 bilhões por safra no Brasil.

Nesse cenário, uma nova geração de armadilhas inteligentes aposta no uso de ondas eletromagnéticas para monitorar e atrair insetos de forma seletiva. A proposta é aumentar a eficiência no controle da praga e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais e custos operacionais.

O diferencial da tecnologia está na capacidade de ajustar frequências específicas para atrair o inseto-alvo, sem interferir em espécies benéficas ao ecossistema, como polinizadores. O sistema combina iluminação por LED com variações controladas de ondas, calibradas a partir do comportamento dos insetos e das condições ambientais.

Além da captura, o equipamento incorpora sensores e câmeras que identificam automaticamente a praga, registrando dados como horário de maior incidência, localização, temperatura e umidade. Essas informações são processadas e disponibilizadas ao produtor, permitindo uma leitura mais precisa da dinâmica da infestação.

Na prática, o monitoramento em tempo real tende a antecipar decisões no manejo, reduzindo a necessidade de aplicações generalizadas de defensivos. A lógica é agir no momento certo e no local correto, aumentando a eficiência do controle e evitando desperdícios.

Estudos iniciais apontam que o uso desse tipo de tecnologia pode diminuir entre 10% e 20% a aplicação de inseticidas, o que representa economia direta para o produtor e menor impacto ambiental.

Outro ponto relevante é a digitalização do manejo agrícola. Com dados centralizados e acessíveis por aplicativos, técnicos e produtores passam a ter uma visão mais detalhada das áreas cultivadas, o que contribui para estratégias mais assertivas e redução de riscos.

Apesar do potencial, a tecnologia ainda passa por fase de validação em campo. Testes vêm sendo ampliados em regiões produtoras de algodão, com o objetivo de gerar dados consistentes antes da entrada definitiva no mercado.

A expectativa é que, além da cotonicultura, o uso de armadilhas inteligentes possa ser expandido para outras culturas nos próximos anos, acompanhando a tendência de uma agricultura mais tecnológica, sustentável e orientada por dados.

Fonte: Fox Agritech