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O Brasil caminha para registrar mais um capítulo histórico na comercialização de soja. Antes mesmo do encerramento de maio, o país já superou todo o volume exportado nos cinco primeiros meses de 2025, consolidando um ritmo de embarques que reforça sua posição como principal fornecedor mundial da oleaginosa.
Dados do comércio exterior mostram que, até maio, o Brasil embarcou 51,6 milhões de toneladas de soja, volume ligeiramente superior às 51,5 milhões de toneladas exportadas no mesmo período do ano passado. A marca foi alcançada mesmo com o mês ainda em andamento, sinalizando a força da demanda internacional pelo produto brasileiro.
Somente nas três primeiras semanas de maio, os embarques somaram 11,38 milhões de toneladas, segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Mantido o ritmo médio diário observado ao longo do mês, a expectativa do mercado é de que as exportações ultrapassem 15 milhões de toneladas em maio.
Para o consultor da Terra Investimentos, Geraldo Isoldi, o desempenho reflete um cenário favorável para o agronegócio nacional e mantém aberta a possibilidade de um novo recorde mensal de exportações.
“O volume embarcado até agora mostra a capacidade do Brasil de atender a uma demanda internacional cada vez mais forte. Ainda existe a possibilidade de alcançarmos um resultado histórico para o mês, dependendo do comportamento dos embarques nos últimos dias”, avalia.
Safra recorde impulsiona projeções
O avanço das exportações ocorre em meio a uma das maiores safras já registradas no país. Em abril, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima sua projeção de embarques para 2026, elevando a estimativa de 115,5 milhões para 116 milhões de toneladas.
Mesmo essa previsão pode ser superada. Segundo estimativas da Terra Investimentos, as exportações brasileiras podem alcançar 117 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde para o setor.
Caso o cenário se confirme, o resultado ficará significativamente acima das 108 milhões de toneladas exportadas em 2025, consolidando o crescimento da participação brasileira no comércio global de soja.
Estoques elevados reforçam oferta interna
Além da forte presença no mercado internacional, o Brasil também deve encerrar o ano com estoques expressivos. A Conab estima que os estoques finais alcancem cerca de 10,3 milhões de toneladas, impulsionados pelo aumento da produção nacional.
As projeções mais recentes apontam para uma safra superior a 179 milhões de toneladas, fortalecendo ainda mais a liderança brasileira na produção mundial da commodity.
A combinação entre produção elevada, exportações aquecidas e estoques robustos cria um ambiente de ampla oferta, fator que contribui para a competitividade do produto brasileiro nos mercados internacionais.
China continua sustentando demanda
Boa parte desse desempenho está ligada ao mercado chinês, principal destino da soja produzida no Brasil. Apesar das expectativas de desaceleração da economia asiática, as compras chinesas seguem em níveis elevados e continuam sendo o principal motor das exportações brasileiras.
Para o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o comportamento da China tem surpreendido positivamente o setor.
“A continuidade das aquisições chinesas em volumes elevados reforça a expectativa de manutenção de uma demanda aquecida, fator considerado estratégico para o desempenho das exportações brasileiras ao longo do ano”, afirma.
Segundo ele, esse movimento ajudou a acelerar os embarques ao longo de abril e maio e mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.
Atenção ao mercado norte-americano
Apesar do cenário positivo, o mercado acompanha com cautela a chegada da nova safra dos Estados Unidos. Tradicionalmente, a China aumenta suas compras do produto norte-americano no segundo semestre, o que pode alterar parte do fluxo comercial global.
“Existe a possibilidade de cumprimento de acordos comerciais envolvendo a China, o que poderia ampliar as compras de soja norte-americana na safra 2026/27”, observa Silveira.
Caso isso aconteça, parte da demanda atualmente direcionada ao Brasil poderá migrar para os Estados Unidos. Ainda assim, especialistas destacam que o produto brasileiro segue competitivo, sustentado por preços atrativos e prêmios mais baixos para os importadores.
No curto prazo, o cenário permanece favorável. Com produção recorde, forte demanda internacional e logística operando em ritmo intenso, o Brasil segue ampliando sua relevância no comércio mundial de soja e consolidando sua posição como principal fornecedor global da commodity.
Fonte: CONAB
