Foto: Divulgação/ OCB

O cooperativismo segue ampliando espaço no mercado brasileiro e se consolidando como alternativa de geração de renda, trabalho e inclusão profissional em diferentes setores da economia. Histórias de trabalhadores que encontraram nas cooperativas estabilidade, autonomia e oportunidade de crescimento ajudam a explicar a força de um modelo que já reúne 25,8 milhões de cooperados em todo o país.
Entre esses exemplos está o taxista Alan Câmara, de São Luís, no Maranhão. Há quase 30 anos ligado à cooperativa Táxi União, ele viu no cooperativismo uma forma de empreender coletivamente e enfrentar mudanças no setor de transporte, especialmente após a chegada dos aplicativos.
Segundo Alan, a essência cooperativista ajudou a categoria a manter espaço no mercado. “A chegada dos aplicativos não teve tanto impacto na nossa cooperativa e a explicação está na essência do modelo do cooperativismo. A categoria de motorista tem um piso salarial muito abaixo e aqui a gente tem liberdade de empreender. De certa forma, o cooperativismo promove uma justiça social”, afirmou.
Cooperativa ampliou contratos e abriu novas oportunidades
Ao longo dos anos, a Táxi União ampliou a atuação e passou a fechar contratos com empresas, garantindo maior estabilidade financeira aos cooperados e criando novas oportunidades de trabalho.
Hoje diretor da cooperativa, Alan destaca que o modelo acaba acolhendo profissionais que muitas vezes não encontram espaço no mercado tradicional. “O coop abre portas para pessoas que, muitas vezes, não enxergavam possibilidade nenhuma de trabalho, mostra um novo caminho”, disse.
Ele também ressalta o sentimento de pertencimento construído ao longo das décadas dentro da cooperativa. “O cooperativismo é um porto seguro. Mesmo quem tem outra formação ou já tentou outros caminhos acaba voltando, porque aqui encontra segurança e perspectiva”, completou.
Tecnologia e gestão coletiva fortalecem cooperados
No setor de tecnologia da informação, o cooperativismo também tem transformado relações de trabalho. Diretora-presidente da cooperativa LibreCode, no Rio de Janeiro, Daiane Alves afirma que o modelo valoriza a participação coletiva e o protagonismo profissional.
“A gente não enxerga pessoas como recursos, mas como parte da construção da cooperativa. Os cooperados têm voz, participam das estratégias e compartilham não só os resultados, mas também as responsabilidades”, explicou.
Segundo Daiane, o diferencial das cooperativas está justamente na construção coletiva das decisões e no ambiente colaborativo. “É um modelo onde sua voz é ouvida, onde as decisões são construídas coletivamente e onde o resultado não pertence a uma estrutura distante, mas às pessoas que constroem o dia a dia da organização”, afirmou.
Ela também destacou a mobilização da cooperativa para apoiar um integrante que perdeu tudo durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. “O cooperativismo não se limita ao trabalho. Ele é uma rede de cuidado e responsabilidade compartilhada. Quando me lembro dessa experiência, fica claro que a transformação vem da forma como as pessoas se reerguem, se reconhecem e caminham juntas”, contou.
Setor reúne milhões de cooperados no país
De acordo com dados do AnuárioCoop 2025, o cooperativismo brasileiro reúne atualmente 25,8 milhões de cooperados e emprega mais de 578 mil pessoas em todo o país.
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, afirma que o modelo vem demonstrando capacidade de gerar empregos e fortalecer a economia mesmo diante de cenários desafiadores.
“O cooperativismo é um modelo de negócios que demonstra constante capacidade de geração de empregos no Brasil, contribuindo de forma expressiva para a economia e o desenvolvimento social. Em um cenário de constantes desafios econômicos e mudanças no mercado de trabalho, as cooperativas têm se destacado por sua resiliência e capacidade de criar oportunidades de trabalho nos seus diversos ramos”, avaliou.
Fonte: OCB
