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A relação comercial entre Brasil e China ganhou um novo impulso nesta semana com o reconhecimento oficial de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação. A decisão, anunciada nesta terça-feira (2), fortalece a credibilidade sanitária do país e pode ampliar oportunidades para produtos de origem animal no maior mercado comprador do agronegócio brasileiro.
O avanço é resultado das negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) durante missão oficial realizada na China em maio deste ano. Na ocasião, representantes brasileiros apresentaram os avanços do sistema nacional de defesa agropecuária e defenderam o reconhecimento do novo status sanitário do país pelas autoridades chinesas.
A medida consolida um processo que teve um marco importante em 2025, quando o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o reconhecimento internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação. A certificação coroou décadas de investimentos em vigilância sanitária, controle epidemiológico e fortalecimento dos serviços veterinários em todo o território nacional.
Para o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a decisão representa uma conquista estratégica para o agronegócio brasileiro e demonstra os resultados do diálogo técnico mantido entre os dois países.
“Hoje o dia começou com uma grande notícia. Logo no início da manhã, o ministro Mauro Vieira confirmou que a China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. Esse foi um dos principais temas que levamos como prioridade durante nossa recente missão à China. Tivemos reuniões longas e produtivas com os ministros da Agricultura e do Comércio, e essa era uma das reivindicações mais importantes que apresentamos. Por isso, temos razões de sobra para celebrar esse resultado”, afirmou.
O reconhecimento chinês é visto pelo setor como um passo importante para ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado asiático. A expectativa é que a medida facilite negociações envolvendo diferentes segmentos da pecuária nacional e contribua para diversificar a pauta exportadora.
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, a decisão reforça a confiança internacional no sistema sanitário brasileiro e cria condições favoráveis para novas discussões comerciais.
“Iniciamos 2026 com o reconhecimento, pela China, do status de país livre de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para a carne bovina brasileira e, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do status de livre de febre aftosa sem vacinação. Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado e contribuindo para melhorar o desempenho econômico dessas cadeias produtivas”, destacou.
A aproximação entre os dois países também ganhou força recentemente com a assinatura de um Memorando de Entendimento voltado à cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias. O acordo busca ampliar o intercâmbio técnico e fortalecer a coordenação entre as autoridades responsáveis pela sanidade animal e vegetal.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. O reconhecimento do novo status sanitário brasileiro tende a reforçar ainda mais a confiança dos importadores chineses e ampliar as perspectivas para cadeias produtivas ligadas à carne bovina, suína e outros produtos agropecuários.
A conquista foi construída de forma conjunta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo Ministério das Relações Exteriores, em um trabalho que combina diplomacia, negociação comercial e credibilidade sanitária para fortalecer a presença do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
