Fotos: Julio Huber

Texto: Julio Huber e Bruno Faustino

Entre as montanhas de Catitu, no interior de Conceição do Castelo, a história do produtor rural Ronaldo Ambrosim é construída com trabalho, persistência e amor pela terra. Aos 47 anos, ele carrega no olhar e nas mãos as marcas de quem nasceu no campo e nunca perdeu a conexão com a agricultura, mesmo depois de passar anos trabalhando fora da roça.

Filho do interior, Ronaldo cresceu acompanhando o pai no trabalho rural. A ligação com o café vem da infância, das lavouras, das colheitas e da rotina simples da vida no campo. Em determinado momento da vida, precisou buscar outra profissão e passou cerca de dez anos trabalhando como pedreiro. Mas o chamado da terra falou mais alto.

“Nasci na roça, sempre trabalhei na roça. Fiquei um tempo trabalhando de pedreiro, mas voltei para a atividade rural porque é o que eu gosto de fazer”, conta. O retorno ao campo aconteceu há cerca de seis anos. Desde então, Ronaldo decidiu investir de vez no sonho de construir uma propriedade produtiva e sustentável para a família. Em 2020, comprou em sociedade com Wender Gomes Pescauma área em Catitu que, na época, era tomada apenas por eucaliptos.

“Quando compramos esse lugar aqui só tinha eucalipto. Hoje temos café e abacate, mas o ponto forte é o café”, relembra. Mais do que uma atividade econômica, o café representa paixão e propósito. Ronaldo fala da lavoura com orgulho e emoção. Para ele, trabalhar no café exige esforço diário, mas também entrega realização. “Não é fácil, mas a gente ama o que faz, então se torna mais leve. O café é tudo pra mim”, afirma.

Parceria construída ao longo dos anos

Foi justamente nesse processo de reconstrução da vida no campo que o Sicoob passou a ter um papel ainda mais importante em sua trajetória. Associado à cooperativa desde os anos 2000, quando abriu conta na agência de Venda Nova do Imigrante, Ronaldo encontrou no relacionamento próximo com a instituição o apoio necessário para investir na propriedade e fazer o negócio crescer.

Com apoio do Sicoob, o produtor conseguiu acesso a crédito para custeio agrícola, compra de insumos, implantação de energia solar e contratação de seguro rural — investimento que mudaria completamente sua história meses depois.

Na entrada da propriedade, as placas fotovoltaicas simbolizam esse avanço. A energia gerada no local abastece a casa, os equipamentos e a estrutura usada na secagem do café. A economia também trouxe alívio para o orçamento da família, pois o valor mensal com a conta de energia reduziu. 

“Passou pela cabeça desistir de tudo”

Mas o maior desafio ainda estava por vir. No dia 4 de novembro do ano passado, por volta das 18 horas, um forte temporal acompanhado de granizo atingiu a propriedade. Em poucos minutos, o trabalho construído ao longo de anos foi destruído.

“Passou uma chuva de pedra aqui de uns 20 minutos e arrebentou tudo. A lavoura tinha três anos e a carga dela seria esse ano”, lembra Ronaldo. A frustração foi ainda maior porque 2026 seria o primeiro grande ano de produção da lavoura. Com o cafezal destruído, veio também a insegurança sobre o futuro da propriedade.

“No primeiro momento, a gente ficou arrasado. Passou na cabeça desistir, vender tudo e parar”, revela. Foi nesse momento que o seguro rural contratado junto ao financiamento da produção fez toda a diferença. O recurso recebido cobriu cerca de 70% do valor financiado para custeio da lavoura, utilizado na compra de adubo e defensivos agrícolas.

“Se não tivesse o seguro, a gente não sabia o que fazer. Foi um alívio enorme. Graças a Deus e ao seguro conseguimos continuar”, afirma. Mais do que apoio financeiro, Ronaldo destaca a relação humana construída com a cooperativa ao longo dos anos. 

Segundo ele, o diferencial está na proximidade e no acompanhamento constante. “A gente vai na agência, é ouvido, é atendido. Eles vêm aqui na propriedade. O Sicoob é um braço direito pra gente”, diz.

SONHOS – Mesmo após enfrentar uma das maiores dificuldades da vida no campo, Ronaldo segue olhando para frente. A expectativa agora é retomar o crescimento da produção e investir ainda mais em qualidade. Entre os planos estão a construção de uma estufa para secagem de café e a instalação de equipamentos para beneficiamento dos grãos. “Quero investir em café de qualidade. E o crédito vai vir do Sicoob”, reforça.

Cooperativismo que caminha junto

Gerente da agência do Sicoob em Venda Nova do Imigrante, Márcio Minete afirma que histórias como a de Ronaldo mostram o verdadeiro papel do cooperativismo de crédito no campo. “O produtor rural é a essência da nossa cooperativa. O Sicoob nasceu do produtor rural e continua caminhando lado a lado com ele”, destaca.

Segundo Márcio, acompanhar o relato de Ronaldo foi emocionante porque mostra como o apoio correto pode transformar um momento de desespero em esperança. “O caso do Ronaldo toca muito a gente porque ele conseguiu enxergar uma luz no fim do túnel em um momento extremamente difícil. O seguro rural permitiu que ele tivesse condições de continuar acreditando no futuro”, afirma.

Para o gerente, o seguro rural ainda é uma ferramenta pouco valorizada no Brasil, apesar da importância para o produtor. “A propriedade rural é uma empresa a céu aberto. O produtor está sujeito ao clima, às perdas e aos imprevistos. O seguro traz tranquilidade e garante a continuidade da atividade”, explica.

Márcio também destaca que o trabalho do Sicoob vai além da concessão de crédito. “A gente busca estar presente nas propriedades, oferecer orientação, promover treinamentos e apoiar o produtor no crescimento sustentável. Quando o produtor cresce, a comunidade cresce junto”, conclui.

Serviço

Agência Venda Nova do Imigrante

Av. Ângelo Altoé, 340, Venda Nova do Imigrante – ES, 29375-000

0800 756 1001