Foto: Oliveira, Valter Rodrigues

Uma nova opção para os produtores brasileiros promete ampliar a eficiência da produção de cebola em períodos de clima mais quente e úmido. Desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa de sementes Agrocinco, a cultivar híbrida BRS Belatriz 239 foi criada para atender especialmente as condições de plantio da primavera e do verão nas principais regiões produtoras do país.

O material foi desenvolvido para se adaptar às condições climáticas do Centro-Oeste e do Sudeste, regiões que enfrentam desafios relacionados às altas temperaturas, elevada umidade e maior incidência de doenças durante parte do ciclo produtivo. Entre os diferenciais da cultivar estão a estabilidade produtiva, a boa adaptação a dias longos e a capacidade de manter elevados índices de produção mesmo em ambientes considerados mais desafiadores para a cultura.

Voltada para o mercado de cebolas amarelas destinadas ao consumo in natura, a BRS Belatriz 239 apresenta alta produtividade de bulbos comerciais e boa padronização, concentrando a maioria da produção nas classes 3 e 4, que possuem maior valor comercial. Outro destaque é a uniformidade na maturação das plantas, característica que facilita a colheita e contribui para a redução de custos operacionais.

Segundo os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da tecnologia, a cultivar reúne um conjunto de características que ajudam a reduzir perdas no campo. O híbrido apresenta resistência à bulbificação precoce provocada por altas temperaturas, além de resistência a doenças importantes para a cultura, como a queima foliar causada por Xanthomonas, a mancha púrpura e a antracnose. Também possui tolerância aos nematoides das galhas e resistência moderada à raiz rosada.

A recomendação de cultivo contempla importantes polos produtores no Distrito Federal, Goiás e em regiões do estado de São Paulo, especialmente nas áreas de Campinas e da macro metrópole paulista. A cultivar é indicada para localidades situadas entre as latitudes de 13° e 23° e altitudes variando de 700 a 1.200 metros.

O sistema produtivo sugerido segue os modelos já adotados nas áreas mais tecnificadas do país, com população recomendada entre 500 mil e 700 mil plantas por hectare. A colheita ocorre, em média, entre 120 e 130 dias após o plantio, dependendo das condições da região e do manejo adotado.

Além do desempenho agronômico, a nova cultivar apresenta características valorizadas pelo mercado consumidor. Os bulbos possuem teor médio de matéria seca de aproximadamente 10% e pungência elevada, atributo relacionado ao sabor mais marcante da cebola. Outro ponto positivo é a boa capacidade de conservação pós-colheita, favorecendo o armazenamento e a comercialização do produto.

A expectativa é que a tecnologia contribua para aumentar a competitividade da cadeia produtiva da cebola no Brasil, oferecendo aos agricultores uma alternativa capaz de combinar produtividade, qualidade comercial e maior resistência às adversidades climáticas e fitossanitárias.

Fonte: Embrapa