Foto: Freepik

O agronegócio brasileiro consolidou ainda mais sua força na economia nacional ao longo de 2025. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, apontam que o setor movimentou R$ 3,20 trilhões e passou a representar 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, alcançando uma das maiores participações da história recente.
O crescimento foi impulsionado pelo aumento da produção agropecuária, pela expansão dos serviços ligados ao campo e pelo fortalecimento das cadeias produtivas do agronegócio. O desempenho reforça a importância do setor para a economia brasileira e evidencia o peso do trabalho rural em toda a estrutura produtiva do país.
Neste 25 de maio, data em que é celebrado o Dia do Trabalhador Rural, entidades do setor destacam o papel dos profissionais do campo na produção de alimentos, na geração de empregos e no desenvolvimento econômico de milhares de municípios brasileiros.
Agricultura familiar segue como base do setor
Levantamentos do Cepea mostram que o setor agropecuário alcançou cerca de 28,6 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre de 2024. Grande parte dessa força está ligada à agricultura familiar, considerada um dos pilares da produção rural brasileira.
Mesmo ocupando cerca de 23% das áreas agrícolas do país, os aproximadamente 3,9 milhões de estabelecimentos familiares concentram 67% das ocupações no meio rural e respondem por parcela significativa da produção nacional de alimentos.
Nos últimos anos, o campo também passou por transformações importantes, com maior presença de mecanização, digitalização e novas tecnologias produtivas. Ainda assim, especialistas apontam que o trabalho humano continua sendo essencial para sustentar o crescimento do agro brasileiro.
Cooperativas ampliam presença no agronegócio
O cooperativismo ganhou ainda mais espaço dentro desse cenário de modernização do campo. Cooperativas agropecuárias e financeiras passaram a atuar de forma estratégica em áreas como crédito rural, assistência técnica, industrialização e geração de renda para produtores.
Um dos exemplos é a Aurora Coop, que encerrou 2025 com crescimento nas operações e forte impacto econômico em centenas de municípios. Atualmente, o sistema reúne 14 cooperativas agropecuárias, cerca de 87 mil famílias rurais e mais de 50 mil colaboradores em diferentes regiões do país.
Além da atuação industrial, cooperativas também vêm fortalecendo programas de financiamento e apoio à agricultura familiar. Em Santa Catarina, o programa Coopera Agro SC busca ampliar o acesso ao crédito para produtores ligados a cooperativas e agroindústrias, com expectativa de movimentar bilhões de reais e gerar milhares de empregos.
Já em Alagoas, iniciativas voltadas à agricultura familiar têm buscado ampliar mercados para pequenos produtores e cooperativas, fortalecendo a organização produtiva e a geração de renda no meio rural.
Tecnologia e qualificação transformam relações no campo
O avanço tecnológico no agronegócio também ampliou discussões sobre qualificação profissional, ambiente de trabalho e valorização das pessoas ligadas às cadeias produtivas rurais.
Nesse cenário, cooperativas passaram a receber reconhecimento por práticas voltadas ao desenvolvimento humano e à gestão de pessoas. A Cresol foi apontada entre as empresas mais bem avaliadas do agronegócio em rankings de ambiente de trabalho, enquanto o Sicoob Credicitrus também ganhou destaque por ações ligadas à valorização dos colaboradores.
Especialistas avaliam que o fortalecimento dessas iniciativas acompanha uma transformação mais ampla do setor rural, que busca conciliar produtividade, inovação e melhores condições de trabalho.
Mulheres ganham mais espaço nas cadeias produtivas
A participação feminina no agronegócio e nas cooperativas também vem crescendo nos últimos anos. Organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e a Aliança Cooperativa Internacional têm reforçado projetos voltados ao fortalecimento de mulheres agricultoras em diferentes países.
Segundo dados da FAO, as mulheres representam quase metade da força de trabalho agrícola mundial, embora ainda enfrentem desafios relacionados ao acesso à terra, crédito e tecnologia.
Para especialistas, o cooperativismo pode funcionar como ferramenta importante de inclusão produtiva, fortalecimento da renda e ampliação da participação feminina nas cadeias agrícolas e agroindustriais.
Agro segue como motor econômico do país
O crescimento do agronegócio ocorre em um momento de expansão das cadeias agroindustriais e de aumento da demanda global por alimentos. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios ligados à sustentabilidade, infraestrutura e sucessão no campo.
Mesmo diante das transformações tecnológicas, entidades ligadas ao agro reforçam que o desenvolvimento do setor continua diretamente conectado ao trabalho realizado por milhões de produtores, trabalhadores rurais e cooperados espalhados pelo Brasil.
Fonte: CNA
