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O agronegócio brasileiro enfrenta um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial, reflexo de um cenário de pressão financeira sobre produtores e empresas do setor. Dados recentes apontam que, em 2025, foram registradas 1.990 solicitações, alta de 56,4% em relação ao ano anterior.
O avanço está associado à combinação de fatores como juros elevados, volatilidade nos preços das commodities e restrição no acesso ao crédito. Entre os segmentos mais impactados está a produção de soja, que somou 217 pedidos de recuperação judicial no período, após quedas nos preços registradas desde 2022.
Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, indica que a margem bruta dos produtores pode ter recuado até 47,6% na safra 2025/2026. O cenário se agrava em propriedades que operam com custos adicionais, como arrendamento de terras.
A crise se estende por toda a cadeia produtiva. A queda na comercialização de máquinas agrícolas, fertilizantes e insumos sinaliza um setor mais cauteloso, enquanto instituições financeiras adotam critérios mais rigorosos para concessão de crédito diante do aumento do risco de inadimplência.
Segundo o advogado especialista em recuperação judicial, Claudio Montoro, o produtor enfrenta um cenário desafiador. “Estamos diante de uma combinação perigosa: aumento do custo do crédito, queda no valor das commodities e restrição no acesso a novos financiamentos. Isso compromete diretamente a capacidade de planejamento e execução das safras”, afirma.
Diante desse contexto, o Conselho Nacional de Justiça publicou, em março de 2026, o Provimento 216, que estabelece diretrizes para ampliar a transparência e uniformizar os processos de recuperação judicial no meio rural.
A norma prevê, por exemplo, acompanhamento técnico das safras por administradores judiciais e exigência de perícias especializadas para validar a capacidade produtiva. O objetivo é dar mais segurança aos credores e garantir maior previsibilidade aos processos.
“O Provimento 216 representa um avanço importante ao trazer mais transparência e previsibilidade. Por outro lado, também exige maior rigor por parte dos produtores”, explica Montoro.
O especialista também alerta que a recuperação judicial deve ser avaliada com cautela. “Nem todos os casos são elegíveis. Um pedido mal estruturado pode agravar a situação. Em alguns cenários, a negociação direta com credores pode ser mais eficiente”, destaca.
Com o aumento do endividamento e maior rigor regulatório, o setor deve enfrentar desafios adicionais nos próximos ciclos, reforçando a necessidade de planejamento financeiro e gestão mais eficiente no campo.
Fonte: mgapress
