Foto: Esio Mendes/Divulgação FAO

Um novo projeto voltado à bioeconomia começa a ganhar espaço na região amazônica ao apostar no protagonismo de mulheres empreendedoras e agricultores familiares. A iniciativa, apresentada nesta semana em Porto Velho (RO), mira diretamente as cadeias produtivas do café e do cacau — duas atividades estratégicas para a economia local.

A proposta combina geração de renda com sustentabilidade, a partir de ações de capacitação técnica, fortalecimento da produção e incentivo à agregação de valor. Ao mesmo tempo, busca ampliar a participação feminina no campo, promovendo mais autonomia e liderança das mulheres nas atividades produtivas.

Com o nome “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia”, o projeto deve alcançar cerca de 600 pessoas, entre mulheres e agricultores familiares, em municípios como Alta Floresta, Cacoal, Novo Horizonte d’Oeste, Jaru, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste.

Na prática, o trabalho inclui desde treinamentos e fortalecimento da governança local até o estímulo a sistemas mais sustentáveis, como os agroflorestais. Também estão previstas ações para agregar valor aos produtos e a criação de Unidades de Referência Tecnológica, que funcionarão como vitrines de boas práticas para os produtores da região.

O anúncio oficial foi realizado no Palácio Rio Madeira, com a presença de representantes das Nações Unidas, do Governo do Estado de Rondônia, dos Governos do Brasil e do Canadá, de cooperativas locais e da sociedade civil. O projeto é liderado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com assistência técnica da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da ONU Mulheres, coordenado pelo Governo de Rondônia e financiado pelo Canadá, no âmbito do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.

Outro diferencial está no olhar social do projeto. Além do foco produtivo, a iniciativa incorpora temas como inclusão e equidade de gênero, além de ações de conscientização, reforçando a importância de um desenvolvimento que caminhe junto com avanços sociais.

A coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, ressaltou os resultados previstos para as comunidades envolvidas. “Temos aqui uma oportunidade concreta de gerar impacto positivo na vida de centenas de pessoas, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e contribuir para um modelo de desenvolvimento que possa ser adaptado e replicado em outras partes da Amazônia”, afirmou.

Para quem está no campo, a expectativa é de mais oportunidades e valorização da produção local. Já para o setor, o projeto reforça o potencial do café e do cacau como motores de desenvolvimento regional, especialmente quando aliados à inovação e à sustentabilidade.

Com execução prevista até dezembro de 2027, a iniciativa integra o Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, voltado a acelerar soluções sustentáveis e fortalecer cadeias produtivas na região.

Fonte: FAO