Carnaval de Congo: tradição e mistério por trás das máscaras atravessam gerações em Cariacica

No feriado de Nossa Senhora da Penha, nesta segunda-feira (13), a comunidade de Roda D’Água, em Cariacica, se transforma em palco de uma das manifestações culturais mais emblemáticas do Espírito Santo: o Carnaval de Congo de Máscaras. A celebração reúne música, ancestralidade e identidade em uma experiência que atravessa gerações.

Entre o som dos tambores e as cantorias tradicionais, as máscaras ganham protagonismo. Mais do que elementos visuais, elas representam uma herança cultural marcada por significados profundos e pela preservação de histórias que resistem ao tempo.

A produção dessas peças começa de forma artesanal, com a retirada do barro utilizado como molde. Sobre ele, são aplicadas camadas de papel e cola, que estruturam a máscara. Após a secagem, a superfície recebe tinta branca como base e, em seguida, cores vibrantes que dão vida à expressão final. Um pano é fixado à peça para garantir o anonimato de quem a utiliza.

Desse processo surge o personagem João Bananeira, uma das figuras mais simbólicas da festa. Com o corpo coberto por folhas de bananeira, tecidos e máscara, ele percorre as ruas carregando um legado que remonta ao período da escravidão. Na época, a fantasia permitia que pessoas escravizadas participassem das celebrações sem serem identificadas, transformando a máscara em um símbolo de resistência e liberdade.

A tradição segue viva graças ao trabalho de mestres da cultura popular, como Mestre Cemi, da Banda de Congo Mestre Tagibe. Ele mantém o saber herdado do avô e do pai, responsável por dar nome ao grupo. Segundo o mestre, as máscaras passaram por mudanças ao longo do tempo, deixando os traços mais sombrios para adotar cores mais vibrantes, aproximando o público sem perder a essência histórica.

Apesar da força cultural, a participação de foliões caracterizados diminuiu. Se antes a maioria se fantasiava, hoje poucos mantêm o costume de vestir o personagem João Bananeira, o que torna a preservação ainda mais necessária.

Programação do Carnaval de Congo de Máscaras

O evento acontece a partir das 8h, no Campo do América, reunindo bandas de congo de Cariacica e grupos convidados, além de apresentações musicais.

📍 Programação:

  • 8h: Concentração das bandas na Casa do Congo de Mestre Tagibe
  • 9h40: Saída do cortejo até o Campo do América
  • 10h30: Celebração congueira e bênção do Carnaval
  • 12h: Show da Banda Cia Cumby
  • 13h30: Show Afro Congo Beat, com Fábio Carvalho
  • 14h30: Encontro de Bandas de Congo
  • 18h: Encerramento com o canto “Iaiá você vai à Penha” e show pirotécnico

Fonte: PMC